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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Coursera: SelfLeadership

Alguns anos após ter ido para a faculdade comecei a perceber que nem tudo se resume às nossas notas. Quando nos candidatamos a um emprego percebemos que procura-se muito mais do que um simples valor, havendo um conjunto de outras competências que são valorizadas.

Nesse intuito tenho tentado desenvolver competências transversais ao curso que me possam a ajudar no futuro, quer a obter o emprego, quer a viver a vida como gostaria. Deste modo, partilho aqui as notas - em formato de apresentação - do curso Better Leader, Reacher Life da plataforma e-learning Coursera.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Cousera: Pobreza Extrema - Os Números...

Se o último artigo serviu para informar o que era a pobreza extrema e como se poderia agir para lutar contra esta. Este, por sua vez, tem o intuito de fornecer alguns dados de como esta está distribuída pelo Mundo e como afecta as pessoas.

Tal como no último poste, toda a informação foi recolhida no curso How to Change the World da plataforma de e-learning Coursera

A Pobreza Extrema no Mundo em 2010:
- 12.5 % na Ásia leste e no Pacífico;
- <1 % na Europa e Ásia Central;
- 0.7 % na América Latina;
- 2.4 % no Médio Oriente e Norte de África;
- 31 % no Sul de África;
- 48.5 % na África Sub-sariana;

Outras Estatísticas:
- 2.5 mil milhões de pessoas não têm acesso a um bom sistema de saneamento;
- 1.1 mil milhões não possuem qualquer tipo de sistema sanitário, se não aquele a céu aberto;
- 1.8 mil milhões de pessoas morrem todos os anos devido a problemas de saúde relacionados com a diarreia;
- 90% das pessoas do tópico anterior têm menos de 5 anos de idade;
- 40 % daqueles que vivem em condições de pobreza extrema são analfabetos;

É possível retirar algumas conclusões a partir destas estatísticas. São elas que é em África que se situam as comunidades mais pobres do Mundo, cujos principais problemas que atravessam é a falta de saneamento. Tudo isto leva a que muitas pessoas morram, grande parte nos seus primeiros anos de vida, devido a doenças como a diarreia. 

Como se pode combater isto? Acho que a resposta é bastante óbvia. Educação! Esta é o pilar principal no combate à pobreza extrema. Tal como referido no artigo anterior, é importante eliminar as doenças para que as pessoas possam trabalhar. No entanto, mesmo que se consigam os recursos necessários, como medicamentos e vacinas, nada nos garante que as pessoas os vão realmente tomar. Por este motivo a educação é tão importante, ela tem a função de sensibilizar as pessoas a tratarem-se. Daí ser a grande impulsionadora do desenvolvimento de um país.

O problema principal não é a ausência de soluções adequadas e de baixo custo, mas a dificuldade de haver uma cooperação global para implementar essas soluções.

Os ubíquos 3 I's:
- Ignorância
- Ideologia
- Inércia

Para que comunidades que vivem em condições de extrema pobreza consigam desenvolver-se é preciso não esquecer estes 3 I's. Deve-se combater a ignorância com a educação, educando-se as pessoas para que possam mais tarde intervir e participar activamente nas decisões tomadas relacionadas com a comunidade onde estão inseridas. Ideologia - deve-se investigar e testar o que realmente vai ajudar uma determinada comunidade ou país a desenvolver-se. Cada país é único, o que funcionou num outro, pode não funcionar de igual modo neste. Para este grande problema - pobreza extrema - não existe apenas uma única resposta, em vez disso há um conjunto enorme de pequenas respostas, devendo-se estudar e prever quais serão as melhores. Inércia - nós podemos mudar o Mundo e o modo como as coisas funcionam, não devemos ficar parados. 

Conseguir coisas óbvias para as pessoas que vivem em condições de pobreza no Mundo tais como, vacinas, antibióticos, suplementos alimentares, sementes melhoradas, fertilizantes, estradas, canalização, livros, enfermeiras... estas são coisas óbvias.
Estas coisas não farão as pessoas pobres dependentes de esmolas, vão dar a elas uma chance de entrar no sistema económico.

Após esta citação, pode-se dizer que se quer-se ajudar países onde a pobreza extrema é abundante, então todo o tipo de ajuda que se pode oferecer tem como foco a criação de potencial para o desenvolvimento.

Nota: De mencionar que as citações abaixo, são uma tradução directa do inglês, pelo que podem não estar escritas de igual modo como estariam numa versão portuguesa do autor.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Coursera: Pobreza Extrema

Finalmente após um longo semestre tive algum tempo disponível para voltar a um dos meus sites de e-learning preferidos, o Coursera. Desta vez para fazer o curso Change the World, de onde trago algumas das informações abordadas no tema referente à segunda semana Pobreza Extrema (Extreme Poverty).

Desde os meus primeiros anos de escola que tive a disciplina de Educação Moral e Religiosa na escola, até ter concluído o 12.º ano. Vou-me abster de abordar a parte religiosa, ficando apenas pela parte moral, que confesso também nunca ter sentido uma grande conexão. Isto aconteceu não por não sentir uma grande ligação, mas porque tinha algumas dúvidas quanto à ajuda que dávamos, por exemplo, se era às pessoas certas. 

Se havia vezes, nos cabazes de natal, por exemplo, que tinha a certeza que aquelas famílias precisavam de ajuda, havia outras que tinha as minhas dúvidas. Não que essa família vivesse em óptimas condições, porque não vivia, mas sim porque estas condições estavam, em grande parte, a ser uma consequência do modo de vida que estas levavam. Pelo que se colocava a questão, será que estavam a ser ajudados da forma correcta?

Acho que a pobreza é um tema bastante delicado, razão pela qual quis fazer este curso no Coursera, para conhecer mais sobre o tema e saber  quando, como e onde podemos agir. Além disso, com a globalização e o fácil acesso à informação, é possível saber que uma grande parte do Mundo ainda vive em condições que são para nós impossíveis, pelo que acho que é, em parte, nosso dever ajudá-los a ter uma melhor qualidade de vida.

 Pobreza Extrema
É importante salientar que a pobreza extrema está fortemente relacionada com o problema da desigualdade, nomeadamente a existente entre o mundo desenvolvido e o mundo em desenvolvimento. Esta tem-se vindo a demonstrar um dos maiores problemas que tentam persistir actualmente no planeta, podendo ser vista como aquilo que impede o crescimento económico do mundo em potência. Uma vez que existe uma enorme quantidade de pessoas que são privadas de recursos e condições básicas como a falta de educação, de saúde, de água, entre muitas outras. A falta de acesso as estes bens faz com que estas sejam privadas de contribuir para o crescimento económico do Mundo.

A persistência da pobreza é também o roubo de potencial humano. Pobreza não é apenas a falta de dinheiro - é não ter a capacidade de se alcançar todo o potencial como um ser humano.
Amartya Sin (Economista,  prémio Nobel da Economia em 1988)

O que é a pobreza extrema?
1. Pobreza extrema é viver com menos de $1.25 por dia. (de acordo com o World Bank)

De acordo com esta definição estima-se que:
- 21% da população mundial é extremamente pobre;
- 75% vive no Sul da Ásia ou em África;
- 3/4 vive em zonas rurais, onde conseguir ter água limpa, um bom sistema sanitário, transportes e acessos aos mercados continua a ser um dos maiores desafios que nos são apresentados.

Para se ter uma ideia do que é viver com $1.25 por dia. Nos EUA, por exemplo, a linha de pobreza está por volta dos $17 por dia. O US Census Burenau define, para os EUA, a linha de pobreza extrema em $8,50 por dia. Valores muito acima daqueles definidos pelo World Bank.

$1,25 = 0,94€ (por dia)
1 mês (30 dias) = 28,20€

28,20€ seria o valor que um português teria por mês para sobreviver, caso se encontrasse numa situação de pobreza extrema nas mesmas condições da maioria das pessoas em África. Obviamente são países e continentes diferentes, logo as condições são também elas diferentes e consequentemente o limite que cada um estabelece para pobreza extrema. No entanto, acho que estes valores nos conseguem levar a reflectir e a imaginar as condições em que 21% da população mundial se encontra a viver. 

Algo que se mencionou no Coursera foi que, pobreza extrema não é apenas falta de dinheiro ou riqueza, é a impossibilidade de ter acesso aos mercados, de poder fazer transacções. Sendo este um dos pontos mais importantes que se deve ter em conta quando se pretende erradicar a pobreza extrema, deve-se criar condições para que as pessoas tenham acesso aos mercados. 

O que se  pode fazer?
Imaginemos que queríamos fazer algo para ajudar a solucionar este grande problema que é a pobreza extrema. Nomeadamente nos 3 países onde esta é mais comum e persistente, na China, na Índia e na Nigéria. O que deve ser feito? Ou como podemos agir?

Devo confessar que foram estas duas questões que me levaram a inscrever neste curso no Coursera. Em Portugal, os bancos alimentares e os cabazes de natal são bastante frequentes. No entanto, sempre me perguntei se serão realmente eficazes. Pessoalmente devo confessar que nunca me identifiquei muito com essas campanhas. Pelo que, neste curso foi debatido quais seriam os melhores modos de intervir junto dos países em desenvolvimento. Por exemplo, será que mandar comida ou dinheiro é uma solução eficaz para erradicar a extrema pobreza nesses países?

Foi-me possível apurar que, quando nos países extremamente pobres, normalmente existe uma ligação entre a pobreza extrema existente e o governo. Pelo que se é verdade que muitas instituições exteriores ao país podem fornecer uma boa estrutura para o desenvolvimento económico deste, também é que na grande parte das vezes os governos não têm os mesmos interesses que as pessoas, acabando por se meter no caminho entre as instituições e o povo.

Além disso, gera-se também o problema de que, quando se trata de ajuda monetária exterior, esta poderá ser usada servindo apenas os interesses do governo. Neste caso, ela está a ser usada como um incentivo à corrupção. Por este motivo, a ajuda deverá ser entregue a nível local, junto das comunidades. Caso esta seja entregue junto do governo, então deveriam surgir movimentos a partir do interior de cada país, onde se exigiria mais informações sobre o dinheiro que este recebeu e como foi ele usado

Existe ainda um outro factor a ter em conta (Aid at the Edge of Chaos de Ben Ramlingan), é ele o conhecimento local das áreas onde pretendemos intervir. É extremamente importante que este seja tomado em consideração, uma vez que as regras que funcionaram ao desenvolvimento do nosso país podem não funcionar da mesma maneira noutro país e corre-se o risco de destruir esse conhecimento. O sistema deve evoluir e poder seguir diferentes direcções em vez de ser totalmente alterado.

Com isto, respondendo à questão O que deve ser feito? ou O que poderiamos fazer?. Nós devemos facilitar o crescimento económico do país, com o objectivo de eliminar a pobreza extrema. Como pode ser isso feito? Nós podemos criar as condições para que as pessoas possam estar aptas para trabalhar. Isto é, podemos dar-lhes medicamentos para eliminar as doenças que impedem elas de trabalharem. Podemos dar-lhes comida para que possam, novamente, trabalhar e reduzir o risco de contraírem doenças. Podemos dar-lhes educação, que lhes permite ter uma participação mais activa junto da sociedade e criar um ciclo sustentável de partilha de informações. Por exemplo, certos comportamentos higiénicos que lhes permite reduzir o risco de contrair doenças como diarreia.

Assim, pretende-se que estas comunidades possam reservar algum dinheiro que possa ser posteriormente usado para fazer transacções no mercado, por outra palavras, quer-se criar as condições para que as pessoas tenham acesso aos mercados. O qual vai contribuir para o surgimento de uma classe média na sociedade.


quinta-feira, 3 de abril de 2014

Coursera: Da Soberania à Declaração Universal dos Direitos Humanos

Alguns anos atrás, quando falava do que esperava da faculdade, da vida profissional, sempre me respondiam que era um sonhador. Agora, após alguns anos, penso que continuo bastante abstraído do que é a realidade, no entanto têm sido inevitáveis os meus encontros com ela, pelo que devo dizer que nem sempre me tem agradado o que vivo ou presencio.

Apesar de ter muitos "baldes de água fria" pela frente, os poucos com que me deparei, nomeadamente na faculdade, transmitiram-me que vivo num Mundo onde a preocupação com o indivíduo, com o que este sente, passou para segundo plano. Em vez disso, tudo é centrado na preparação e no talhamento do mesmo, para servir como ferramenta ao cru e inevitável mercado de trabalho que deveria mover um país que, apesar de pobre não hesita em rasgar, partir e deitar fora as cartas trunfos que provavelmente quebrariam este ciclo de derrotas.

Ultimamente, tenho sentido que somos tratados mais como uma peça do tabuleiro de um jogo de xadrez, onde somos meros piões constantemente julgados na praça pelo Bispo e assaltados na arena pelo Cavalo, onde no topo da plateia está o Rei, juntamente com a Rainha, a assistir a todo o espectáculo acenando e aplaudindo como se nada se passasse, onde a liberdade do peão para poder andar duas casas no início do jogo e o direito para dizer CHECKMATE foram eliminados das regras do jogo.

Por todas estas razões, aliadas a um pouco de ilusionismo e negação ao conformismo, comecei-me a interessar mais por aquilo a que chamamos direitos, mais concretamente direitos humanos. Nesse intuito, partilho aqui alguma da informação recolhida no curso  International Human Rights Law: Prospects and Challenges do Coursera.

Conceito de Estado de Soberania
Estado de Soberania é um conceito atribuído a cada estado e nação, este defende o princípio que cada país tem o direito de fazer o que quiser dentro das suas fronteiras. Nomeadamente, o controlo de território. O corolário desta visão de Soberania é o Princípio da Não Intervenção, onde se nega o direito às outras nações de interferirem no comportamento ou na conduta do que se passa dentro de outros países. Esta visão absoluta de Estado de Soberania afecta negativamente a protecção dos direitos do individuo e de grupos, de facto, limita-os. 

A Mudança...
Apesar de o conceito de estado de soberania negar a intervenção involuntária numa nação noutra, consegue-se identificar ao longo da história, nomeadamente antes da 2.ª Guerra Mundial, alguns tratados com o objectivo de proteger determinados grupos. Por exemplo, no século XVII houve acordos com o intuito de garantir a liberdade religiosa para protestantes e católicos. No século XIX, houve o acordo entre países para abolir a escravatura e o comércio de escravos e, estabeleceram-se alguns padrões mínimos para o tratamento de estrangeiros que residissem noutro país que não o seu. Todos estes exemplo têm em comum o facto de os direitos que os indivíduos de um país A usufruem, estão relacionados com os interesses de um outro pais B.

Esta visão de estado de soberania foi mudada após a 2.ª Guerra Mundial, principalmente devido às atrocidades cometidas pelo regime nazista no decorrer desta. A detenção e exterminação de um número elevado de grupos por este regime, como judeus, homossexuais e outras minorias, levou à conclusão que os pactos feitos não tinham sido suficientes para evitar estas crueldades. A difusão destes acontecimentos por outros países levou ao reconhecimento de que as leis e instituições criadas, com o objectivo de proteger os direitos do individuo e de grupos, eram insuficientes para prevenir os governos de abusarem discriminadamente ou usarem comportamentos violentos contra determinados grupos de indivíduos dentro das suas fronteiras. Mesmo que o país onde os abusos aconteciam possuíssem leis para protecção desses grupos, a constituição era facilmente suspendida, as instituições dissolvidas e as cortes influenciadas.

Foi neste desenrolar que se conclui-o que era necessária uma compreensão internacional dos direitos e de liberdade, que fosse comum a um grande número de países e de estados, e que estivesse protegida por leis e instituições internacionais. Tudo isto levou a uma revisão do conceito de soberania, que sofreu mudanças no direito e na liberdade que os países tinham dentro das suas fronteiras. Assim a ideia de os direitos se tornarem um princípio limitante do estado de soberania assentou em 2 ideais após a 2.ª Guerra Mundial: Universalização dos Direitos Humanos e a Internacionalização dos mesmos.

A Universalização refere-se ao facto de cada país dever ter um conjunto de leis que protejam os direitos humanos, enquanto a Internacionalização, por sua vez, tem o intuito de proteger esses direitos através de diplomacias, leis e instituições internacionais.

Tudo isto constituiu uma mudança no conceito abordado, tal fez com que fosse possível qualquer nação mencionar-se sobre a forma como certos indivíduos ou grupos são tratados no interior de outros país.

As Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos Humanos
As Nações Unidas foram uma das instituições internacionais formadas com o objectivo de proteger os direitos humanos. Ela foi fundada no final da 2.ª Guerra Mundial na esteira da violência e das atrocidades decorridas neste conflito. Quando surgiu, muitos países, principalmente os menores, tentaram incluir uma lista de direitos num documento que viria ser aprovado em 1945, no entanto tal não foi feito, não só devido à pressão do tempo, mas também porque não havia um forte consenso global nos direitos que este deveria incluir. Pelo que, inicialmente este apenas incluía algumas referências gerais dos direitos humanos.

Pouco tempo após as Nações Unidas estarem estabelecidas, foi criada a Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos, esta tinha o intuito de fazerem uma nova declaração internacional para os direitos humanos. Foi neste contexto que membros de diferentes nações fizeram o documento que se tornou a Declaração Universal para os Direitos Humanos, submetida à assembleia geral em 1948, onde foi adoptada sem qualquer voto contra, com 48 a favor e 8 abstenções.

Dos países que votaram a favor contam-se 14 países europeus e outros países do leste, 19 estados da América latina e 15 de África da Ásia. Actualmente, o número de países que adoptaram a declaração é muito superior, tal deve-se ao facto de antes muitos deles serem colónias, enquanto agora são países independentes.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos está organizada com um prefácio, que contém explicações e justificações para a realização do documento, tem ainda um conjunto de 30 artigos sobre os direitos civis, políticos, económicos, sociais e ainda culturais, assim como limitações e deveres.

Os temas centrais da declaração são dignidade, liberdade, igualdade e fraternidade.