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terça-feira, 1 de abril de 2014

Al Gore: Principais Gases de Efeito de Estufa

O que sobe tem de descer, é o nome que Al Gore deu ao primeiro capítulo do seu livro A Nossa Escolha. Ele poderia estar a referir-se ao lançamento vertical de uma esfera por um ser humano, em que esta subiria até certa altura e, após alguns segundos, voltaria a cair devido à força da gravidade. Em vez disso, ele refere-se a uma descida que, não demora apenas alguns segundos, mas sim centenas ou mesmo milénios de anos a acontecer. 

Não deverá ser novidade dizer que Al Gore refere-se aos gases de efeito de estufa, os actuais responsáveis pelo aumento da temperatura média do nosso planeta. Este acréscimo tem tido um impacto negativo em muitos dos ecossistemas presentes na Terra, estando associado a outras crises ambientais.

A deterioração da nossa atmosfera devido a estes gases, está a mudar as condições ambientais a que, tanto nós humanos como todos os outros seres vivos, estamos habituados a viver. Tal apresenta assim um desafio à nossa sobrevivência, é necessário não só de deixar de emitir gases que possam deteriorar as condições actuais da atmosfera da Terra, como também temos de nos adaptar às mudanças que já se iniciaram e não podem ser desfeitas.

Para tal acontecer é necessário que estejamos cientes dos gases que estão a aumentar o efeito de estufa, do seu impacto e de que actividades estes provêm. Com o âmbito de partilhar essa informação, escrevo a seguir aqueles que são os 6 poluentes que o Al Gore considerou mais prejudiciais para o aquecimento global.

1.º Dióxido de Carbono (CO2)
Fonte:
  • A principal fonte de emissões de CO2 para a atmosfera provém da queima do carvão, petróleo e gás natural.
  • Cerca de 1/4 do CO2 emitido deve-se à utilização dos solos, associado à desflorestação e aos incêndios com os mesmos  fins. Tal acontece principalmente nos países ainda em desenvolvimento.
Outros factos:
  • Se este poluente deixasse de ser emitido para a atmosfera, pelas fontes descritas acima, já amanhã, 50% dele seria absorvido pelas plantas e pelos oceanos nos próximos 30 anos. O restante cairia mais lentamente, pelo menos 20% do que está a ser emitido hoje permanecerá na atmosfera por mais 1 000 anos.
  • Actualmente estamos a emitir 90 MTon de dióxido de carbono por dia.
2.º Metano (CH4)
Fonte:
  • A principal fonte de metano é a actividade agrícola, de onde se inclui todo o processo de criação de gado e  o cultivo do arroz.
  • O restante provém de operações de mineração de carvão, aterros e queima de combustíveis fósseis.
  • Cerca de 1/4 da emissão deste poluente para a atmosfera deve-se à sua fuga e evaporação durante o processamento, transporte e manipulação do uso do gás.
Outros factos:
  • Em 100 anos o metano é cerca de 20 vezes mais potente que o CO2 na sua capacidade para reter calor.
  • Por ser quimicamente activo, vai interagir com elementos químicos como o ozono, o vai contribuir para a sua redução a CO2 e vapor de água, num período de 10 a 12 anos.
  • Devido ao aumento das temperaturas do Planeta, certas regiões que rodeiam o Árctico começaram a descongelar aquilo a que se dá o nome de permafrost, ameaçando que muito do metano aí retido seja emitido para a atmosfera. 
3.º Negro de Carbono (também chamado de negro de fumo ou fuligem)
Fonte:
  • A principal é a queima de de biomassa, especialmente de florestas e savanas, incendiadas para se conseguir novos terrenos para a prática agrícola, em países e regiões como o Brasil, a Indonésia e África Central.
  • 20% deste poluente é emitido devido à queima de madeiras, ao estrume de vaca e resíduos agrícolas no sul de África. Acrescenta-se a esta lista ainda a China, devido à queima de carvão para aquecimento doméstico.
  • 1/3 da produção desta fuligem deve-se à queima de combustíveis fósseis, principalmente devido aos veículos a gasóleo, como camiões, que não estão equipados com dispositivos de retenção de emissões à saída do escape.
Outros dados e factos:
  • O negro de carbono faz absorção directa da luz solar que atinge a Terra. Este poluente forma nuvens castanhas que bloqueiam a luz, criando zonas de sombra que mascaram assim o aquecimento do planeta.
  • Apesar de ter um impacto considerável no aumento das temperaturas do planeta, é o poluente que menos perdura na atmosfera. De facto, basta que chova para que grande parte deste poluente "caia" com a chuva.
  • Na Síbéria e na Europa do Leste esta fuligem é levada pelos ventos para o Ártico, onde assenta sobre a neve. Tal faz com que ocorra um aumento do degelo, devido à diminuição do albedo, ou seja, da reflectividade da Terra.
  • Estima-se que este poluente seja responsável pela subido de 1 dos 2,5ºC que ocorreram no Ártico.
  • Nos países desenvolvidos o negro de carbono quase que não é produzido.
  • Este poluente está a ter um impacto considerável na China e na Índia devido à falta de chuvas. A ausência desta pode ir até aos 6 meses entre a época das monções. 
4.º Halocarbonos (onde se incluem os CFC - clorofluorcarbonos)
Fonte:
  • Estes gases foram descobertos pelo Homem que os usou em sistemas de refrigeração e aeróssois, inicialmente, usavam-se os CFC's, no entanto devido ao seu poder destruidor das moléculas que formavam a camada de ozono, foi substituído pelos Halocarbonos.
Outros factos:
  • Actualmente estes gases são regulados e tratados de acordo com o Tratados de 1987 (Protocolo de Montreal), adoptado devido ao problema da camada de ozono.
  • No geral, a quantidade de halocarbonos presente na atmosfera tem vindo a decrescer lentamente, no entanto muitas cientistas têm procurado controlar as emissões de hidrofluorcarbonos, que além de estarem a aumentar, contribuem fortemente para o aquecimento global.
  • O contínuo aquecimento da atmosfera (e arrefecimento da estratosfera) poderá recomeçar a destruição do ozono estratosférico, tornando-a fina ao ponto de se tornar de novo uma preocupação à vida humana.
  • Alguns destes gases mantém-se na atmosfera por milhares de ano. Por exemplo, o tetrafluoreto de carbono permanece nesta por cerca de 50 mil anos.
5.º Monóxido de Carbono e Compostos Volátiveis (COV)
Fonte:
  • A circulação de veículos movidos a derivados de combustíveis fósseis e a queima de biomassa são as principais fontes de emissão de monóxido de carbono. Os compostos voláteis, por sua vez, provêm de processos industriais, e tal como o anterior, da circulação de veículos que fazem uso de derivados do petróleo.
Outros factos:
  • Os COV levam à criação de ozono de baixo nível, que é um potente gás com efeito de estufa e um poluente prejudicial à saúde.
  • Não estavam obrigados pelo Protocolo de Quioto, no entanto são considerados gases de efeito de estufa, pois a sua interacção com o metano e o dióxido de carbono contribui para uma maior retenção de calor.
6.º Óxido de Azoto
Fonte:
  • Provém de práticas agrícolas que dependem de fertilizantes azotados, os quais aumentam grandemente as emissões naturais resultantes da decomposição bacteriana de azoto nos solos.
Outros factos:
  • Nos últimos 100 anos, devido ao NH3 (amoníaco) duplicou-se a quantidade de azoto disponível no ambiente.
  • A agricultura praticada à base de rotação de colheitas é agora uma actividade de colheitas contínuas à base de fertilizantes. Com consequência, muitos cursos de água, como rios e ribeiras estão a ser contaminados por azoto, o que sustenta o crescimento rápido e insustentável de manchas de algas (estratificação das águas).
Vapor de água:
  • A quantidade de calor que este retém depende da extensão a que os poluentes de aquecimento global fazem subir as temperaturas do ar e dos oceanos. 

sábado, 22 de março de 2014

Al Gore: A Nossa Casa está em Perigo

Foi por volta do 8.º ano que ouvi falar do aquecimento global pela primeira vez, infelizmente a professora abordou tudo tão superficialmente que mal tive tempo para consolidar a informação que tinha acabado de adquirir. Só alguns anos mais tarde, quando estava no meu 10.º ano, é que percebi a gravidade do assunto e das consequências que este podia ter no nosso planeta. A partir daí comecei a informar-me mais sobre o assunto e foi Al Gore um dos primeiros a  fornecer-me os fundamentos básicos sobre as causas e consequências do aquecimento global através do seu livro Uma Verdade Inconveniente.

Agora, depois de alguns anos de aquisição de informação, volto àquele que me transmitiu o básico do complexo problema com que nos deparamos. Partilho assim algumas notas que tenho recolhido no seu livro A Nossa Escolha.

Como português, tenho assistido a um inúmero número de notícias sobre o aumento do preço do barril de petróleo e, mais recentemente, sobre o aumento do preço da gasolina e do preço do gasóleo. Aquele combustível com que era possível abastecer o nosso carro por uns meros cêntimos por litro, transformou-se naquela que é a actual maior despesa de quem use este meio de transporte, com um custo de cerca de 1.5€ por litro.

Sei que existem muitos pontos de interrogação por detrás destes preços, como por exemplo, o facto de Portugal ser um dos países da União Europeia onde os derivados do petróleo são mais caros. Mas ignorando isso, apesar de tal ter uma enorme relevância, que outro motivo poderá haver para que este aumento de preços tenha atingido tais níveis, não apenas em Portugal, mas por todo o Mundo?

É aqui que entra Al Gore, ele no seu livro aborda aquilo a que muitos especialistas chamam de Pico do Petróleo. Tal como o carvão, o petróleo é um recurso não renovável, quer isto dizer que o tempo que a Natureza demora a repô-lo é muito inferior àquele que o Homem o tem estado a utilizar. Isto para explicar que, grande parte dos poços de petróleo já atingiram o seu pico, ou seja, o número de barris de petróleo que estes têm gerado num dado intervalo de tempo tem vindo a diminuir. 

O facto de a procura deste combustível continuar a aumentar, com o objectivo de satisfazer as necessidades energéticas mundiais, faz com que o seu preço, associado à diminuição da produção do mesmo tenda a aumentar, consequentemente, todos os seus derivados, como a gasolina e o gasóleo também o vão fazer.  

A Agência Internacional de Energia, na sua primeira análise de fundo aos oitocentos maiores campos petrolíferos, relatou no ano passado que a maioria dos maiores campos já ultrapassou o pico da taxa de produção, e que o declínio previsto nessa produção está agora a acelerar ao dobro da taxa prevista em 2007.

T.Boone Pickens, o altamente bem sucedido veterano do petróleo e do gás americano, declarou em Agosto passado que, na sua opinião, a produção de petróleo já atingiu, na verdade, o pico em 2006.  

O facto de a maioria de os campos de petróleo actualmente explorados estarem situados no médio oriente, onde a agitação militar é elevada, é uma das outras causas identificadas para a flutuação dos preços do petróleo. Face a todos estes factos, é de extrema importância substituir este combustível por outros mais duradouros e menos poluentes, uma vez que o uso deste tem gerado crises económicas pelo Mundo, crises de segurança e, por último e talvez a mais importante, a crise climática.

A queima de combustíveis fósseis, como o petróleo, são das principais causas para o aumento massivo do efeito de estufa que se tem vindo a registar. Embora parte dos países desenvolvidos estejam a reunir esforços no sentido de substituir estes por fontes de energia mais limpas, como as renováveis, o actual crescimento da China e da Índia, realizado em parte através da queima e do uso deste tipo de combustíveis, tem vindo a contribuir fortemente para a emissão de gases de efeito de estufa, como o dióxido de carbono, para a atmosfera. 

Apesar de tudo, a China, por exemplo, está prestes a tornar-se o maior país de produtor de energia eólica, através da construção de uma super rede de 800 kilovolt que ligará todas as suas partes.

Por último, Al Gore critica o facto de assuntos de elevada importância, como a crise climática, seja abordada e divulgada nos tablóides de forma pouco séria, onde é misturada constantemente com notícias de entretenimento e publicidade, minimizando a importância do aquecimento global e, de certo modo, ridicularizando-a. 

Vivemos agora numa cultura política parcialmente enlouquecida pela transformação do «fórum público» que emergiu na esteira da imprensa, e que nos trouxe os jornais, os livros, a literacia de massas, o «primado da razão», o igualitarismo e a democracia representativa.

O filósofo alemão Theodor Adorno descreveu em primeira mão esta transformação, num contexto muito diferente, há 58 anos: «A conversão de todas as questões de verdade em questões de poder... atacou o próprio âmago da distinção entre verdadeiro e falso.»
  
(Todas as citações em itálico foram transcritas do livro A Nossa Escolha do Al Gore)