terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Coursera: SelfLeadership

Alguns anos após ter ido para a faculdade comecei a perceber que nem tudo se resume às nossas notas. Quando nos candidatamos a um emprego percebemos que procura-se muito mais do que um simples valor, havendo um conjunto de outras competências que são valorizadas.

Nesse intuito tenho tentado desenvolver competências transversais ao curso que me possam a ajudar no futuro, quer a obter o emprego, quer a viver a vida como gostaria. Deste modo, partilho aqui as notas - em formato de apresentação - do curso Better Leader, Reacher Life da plataforma e-learning Coursera.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Chris Guillebeau: Conformismo (Os Cinco Macacos)

Todos temos sonhos! No entanto parece que à medida que envelhecemos passamos a desvalorizar estes. Adaptamo-nos à nossa rotina diária, nas férias do trabalho viaja-mos para um sítio que os nossos amigos nos aconselharam e a nossa vida não passa disto. 

No fundo conformamo-nos da pior maneira possível. Muitas das vezes vivemos segundo as regras dos outros apenas porque é mais fácil. Podemos nem ser felizes, mas no entanto também não somos infelizes, o que para nós é o suficiente.

A própria sociedade está construída no sentido de suster todo este conformismo. As regras de etiqueta são o exemplo mais óbvio. Se por um lado acredito que muitas deles foram estabelecidas no sentido de criar um bom ambiente entre as pessoas, muitas outras foram criadas apenas com o intuito de levar estas a comportarem-se de uma determinada maneira, considerada por outros como "a aceitável".

De facto, já me encontrei em situações em que simplesmente me disseram "não faças isso". Na minha ingenuidade perguntei porquê? A resposta foi "é regra de etiqueta". Habituamo-nos de tal modo a seguir o que os outros fazem e dizem que, chegamos a um ponto que já nem nós próprios sabemos porque fazemos o que fazemos. Somos apenas mais um indivíduo escravo das regras dos outros.

Podemos não ter estar acorrentados ou ter uma coleira à volta do pescoço, no entanto todos temos o mesmo par de óculos. Não perguntamos "porquê" ou confrontamos as regras que regem a sociedade, pelo facto de ser muito mais fácil viver segundo o que os outros aceitam do que ser olhado de lado ou criticado nas costas.

Dito isto, deixo aqui uma das histórias partilhadas no livro "A Arte do Inconformismo" de Chris Guillebeau, com a esperança que iremos começar a questionar-nos mais sobre o Mundo e como este funciona, pois a mudança, quer no Mundo, quer da nossa vida, só acontecerá quando começarmos a desafiar os paradigmas em que vivemos e mudarmos as lentes dos nossos óculos.

"Cinco macacos são postos numa jaula por um sádico que detesta macacos. Tê, comida e água suficiente no fundo da jaula, o que os salva da fome, mas estão obrigados a ter uma vida entediante a olhar pelo vidro todos os dias. (...) No cimo da jaula, porém, um grande cacho de bananas espera sedutoramente. Uma escada foi posta convenientemente no topo pelo sádico.
(...) um dos macacos trepa a escada e procura chegar a uma banana. De repente uma mangueira de incêndio aparece do nada. O macaco do cimo da escada fica encharcado com água fria, mas não só ele - todos os outros macacos também estão encharcados. (...)
No dia seguinte a experiência repete-se muitas vezes. Um macaco dá uma corrida até às bananas, o bando de macacos fica todo encharcado, e pouco depois o grupo começa a dar uma tareia no macaco que for o suficientemente corajoso para subir a escada. (...) Os macacos aceitam relutantemente o destino de viverem uma vida sem bananas. 
Até que um dia a experiência muda. O sádico tira um macaco da jaula e substitui-o por outro. Desconhecendo a consequência de levar um banho de água fria, o novo macaco começa imediatamente a subir a escada em busca de uma banana; os restantes macacos puxam-no para baixo antes de chegar ao topo, e o bando acostuma-se outra vez. (...) o processo repete-se: o macaco novo vai na direcção das bananas, é derrubado e adapta-se.  
Após cinco dias, não resta nenhum macaco do bando inicial, e nenhum macaco chegou a ficar encharcado com água fria - mas todos sabem que não devem subir a escada. Um dos macacos pergunta por fim:
- Então porque é que não podemos comer as bananas?
Os outros encolhem os ombros e dizem:
- Não sabemos, só sabemos que não podemos."

Livro A Arte do Inconformismo, Chris Guillebeau, Editora Pergaminho SA

sábado, 17 de outubro de 2015

Chris Guillebeau: A Ponte

Há algum tempo atrás, quando ingressei na faculdade, lembro-me de alguns amigos comentarem de ser demasiado sonhador, na altura ignorei um pouco, não me importando muito com isso. No entanto, após algum tempo, quando me comecei a deparar com situações diferentes daquelas com que tinha "sonhado", pensei que os meus amigos talvez tivessem razão. Talvez tivesse sido demasiado ingénuo, talvez devesse ter adaptado os meus pensamentos e a minha mentalidade à realidade.

Passei estes últimos anos sem voltar a preocupar-me com estas questões. Ingressei na faculdade e, tal como todos os meus outros colegas, fui fazendo as disciplinas. O que não percebi durante esse tempo é que a realidade a que me tinha adaptado tinha sido a dos outros e não aquela em que eu realmente acreditava, tinha caído na armadilha do conformismo

Recentemente, talvez devido a algumas situações menos infelizes, voltei a focar-me naquilo em que acreditava e a verdade é que nunca sobe tão bem fazê-lo. Cheguei à conclusão que talvez nunca tenha sonhado de mais, antes pelo contrário, o facto de pensarmos de maneira diferente não faz com que estejamos errados

Dito isto, serve esta mensagem para partilhar algumas citações do livro "A Arte do Inconformismo" do Cris Guillebeau. Quando estava a lê-lo identifiquei-me com algumas das coisas que este abordava, nomeadamente o facto de que à medida que crescemos, parece que a sociedade espera que nos comportemos e sigamos um determinado percurso, estipulados por ela como sendo os correctos.

Quando eras criança e querias fazer alguma coisa que os teus pais e professores não gostavam, és capaz de ter ouvido a pergunta: «Se toda a gente se atirasse da ponte, tu também ias?» A ideia é que não é bom fazer uma coisa estúpida, mesmo que todos os outros a façam. A lógica é: Pensa por ti próprio em vez de seguires a multidão.*

(...) Mas um dia cresces, e de repente a situação inverte-se. As pessoas começam a esperar que te comportes da mesma maneira que elas. Se discordares e não te ajustares às expectativas, algumas delas ficam confusas ou irritadas. É quase como se perguntassem: «Olha, toda a gente está a atirar-se da ponte. Porque é que tu não?»*

Nos últimos dias, houve um evento na localidade onde eu vivo que exigia a minha deslocação ou não a esta. Apesar de ainda não me ter decidido se ia ou não, quando falei com uma pessoa que esse evento, a primeira pergunta dela foi "quando chegas?".

Apoiando-me no livro mencionado, por vezes, ficamos presos numa vida que se desenrola de acordo com o que as outras pessoas consideram como o correcto. Avaliamos as nossas decisões e ideias com base na opinião dos outros, desvalorizando o nosso próprio julgamento e o que pensamos sobre as nossas ideias e, mais importante, sobre nós próprios. Entretanto o tempo acontece e quando nos damos conta já envelhecemos, vivendo uma vida, de certo modo, ditada pelas vozes e crenças dos outros e não por aquilo em que acreditamos e valorizamos

A maior parte dos homens vivem vidas de desespero silencioso e vão para a cova com a sua canção ainda neles.
Henry David Thoreau

Referências Bibliográficas: 
*Livro "A Arte do Inconformismo", Chris Guillebeau, Pergaminho, 1.ª edição outubro de 2010

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Al Gore: Curva de Keeling

Faz cerca de 5 anos que entrei na faculdade. Era, naquela altura, um jovem cheio de ambições e expectativas. Tinha entrado em engenharia mecânica não apenas para ter uma maior probabilidade de conseguir emprego, mas também porque esperava que este curso me possibilitasse trabalhar na área que queria - energia renováveis e eficiência energética.

Ao longo destes 5 anos acabei por perder o meu rumo no curso. As minhas expectativas não tinham sido preenchidas e pouco ou nada ouvia falar sobre energia. Em vez disso, grande parte das disciplinas focavam-se em materiais e produção, algo que, de certo modo, não era compatível pela minha enorme paixão pelas temáticas ambientais.

Este ano, após todo este tempo, finalmente consegui voltar a ter contacto com assuntos de temática ambiental e a sensação não poderia de deixar de ser espectacular. Por outras palavras, sinto que o meu coração está em chamas e que o meu cérebro está mais desperto que nunca.

Dito isto, escrevo este artigo para falar da Curva de Keeling, abordada numa das aulas que tive este semestre. 

Roger Revelle (Uma Verdade Incoveniente, Al Gore)

Na década de 1960, o professor Roger Revelle foi a primeira pessoa a propor a medição dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera. Alguns anos antes, ele tinha previsto que a expansão económica global, após a segunda guerra mundial, impelida pelo aumento da população alimentada principalmente pelo carvão e o petróleo levaria, muito provavelmente, a um aumento da quantidade de dióxido de carbono na atmosfera.

Em 1957, após reunir os financiamentos suficientes, Revelle contratou Charles David Keeling, criando a estação principal para a medição dos níveis de dióxido de carbono no topo da Mauna Loa - a mais alta de duas enormes montanhas vulcânicas no Hawai. Este local tinha sido escolhido devido ao facto de que as amostras aí recolhidas não estarem contaminadas pelas emissões de gases industriais locais.

Alguns anos depois, por volta de 1968, Revelle fazia-se expressar sobre a sua preocupação sobre a absorção de dióxido de carbono pelos oceanos, assim como na atmosfera, prevendo que os primeiros iriam suportar uma carga significativa de todo este aumento.

Apesar de já ter falecido em 1991, antes que o mundo começasse a tomar medidas, sabe-se actualmente que os oceanos têm absorvido grande parte do dióxido de carbono emitido para a atmosfera e que tal tem causado o aumento da acidez destes, colocando em risco todo o ecossistema marítimo.

Curva de Keeling

Esta curva é o resultado das medições da concentração dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera durante quase meio século, efectuadas pelo cientista Charles David Keeling. Esta curva mostra-nos não apenas o modo como a concentração de dióxido de carbono tem vindo a aumentar, mas também o facto de existirem ciclos de sazonalidade, registando-se os níveis mais altos em Abril e os mais baixos em Outubro.

Mais recentemente, com a informação obtida a partir dos cilindros de gelo perfurados na Gronelândia e da Antárctida, foi possível recuar o gráfico cerca de 650 mil anos.



Deixo ainda aqui uma notícia do Jornal Público sobre a Curva de Keeling e o site que acompanha o desenvolvimento da mesma.
Bibliografia: Uma Verdade Incoveniente, Al Gore, Esfera do Caos

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Peter Singer: O Filósofo e o Pregador

Recentemente visitei a feira do livro em Peniche, no entanto sem intenções de comprar nada. Nela passei os primeiros 10 minutos a olhar para os livros que me poderiam interessar, assim como o preço que neles estava marcado. Felizmente, apesar de terem desconto, este não era maior do que aquele que tenho na fnac com o cartão, pelo que não compensava realmente comprar nenhum nesta feira.

O problema destas feiras é que vamos olhando e olhando até que o nosso olhar acaba por ficar fixo nalgum livro. Neste caso, no Escritos sobre uma vida Ética de Peter Singer. Estava a um preço bastante bom, era um extremo desperdício deixá-lo ali exposto ao pó e assim o acabei por comprar.

Bastou ler alguma páginas para perceber que tinha acertado em cheio na compra. Era exactamente o tipo de livro com que me identifico. Deste modo, deixo aqui as razões que levaram a esta identificação misturadas com algumas notas retiradas do capítulo Especialistas em moral.

O meio onde cresci inserido (contextualização)...
Sempre vivi num meio rural, tendo sido educado segundo os costumes do mesmo. Lembro-me de a minha mãe me obrigar a ir à missa todos os Domingos, dia em que vestia a melhor roupa que tinha e o fio de ouro que me tinham oferecido quando me baptizei. Tal como a missa, também era costume ir à catequese - uma espécie de aulas sobre Deus, segundo a religião Católica, que eram dadas na Igreja.

Recordo-me de querer ficar a dormir e a minha mãe acordar-me para me despachar, ou chegaria atrasado à missa. Um atraso que me valeria ficar cerca de uma hora em pé a assistir o sermão, pois os assentos já estariam todos ocupados. Na altura, talvez por ser mais jovem, nunca pensei muito sobre o facto de haver tantas pessoas dispostas a ouvir o que o padre dizia. Não se tratava apenas de rezar.

Pessoalmente, devo confessar que distraia-me mais vezes do que aquelas que ficava atento. No entanto, na catequese apenas me permitia a uma coisa, a estar focado na mensagem que me estava a ser transmitida pelo(a) catequista. Aprendi bastantes coisas, muitas delas boas, como não roubar ou levantar falsos testemunhos, se havia más, pelo menos naquela altura, nunca pensei nelas. Talvez porque o próprio meio onde estava inserido ignorava que estas houvessem e assim me educaram.

Cresci e, consequentemente, amadureci. Hoje sou uma pessoa nova e coloco em questão coisas que antes não colocava em questão, nomeadamente as que me foram pregadas na Igreja. É verdade que há coisas boas que me foram transmitidas, no entanto há também outras que considero erradas, mas que me foram pregadas na cabeça. Coisas sem qualquer fundamento, que nunca poderão vir a ser consideradas certas num Mundo onde apenas Deus é o centro.

Foi este motivo a razão pelo qual este livro me chamou a atenção. Ele aborda a diferença entre um pregador e um filósofo moral.

O Filósofo Moral e o Pregador...

Não faz parte da actividade profissional dos filósofos morais dizer às pessoas o que devem ou não devem fazer. [...] Um filósofo moral, enquanto tal, não tem qualquer informação especial acerca daquilo que é certo e daquilo que é errado que não esteja ao alcance do público em geral, nem tem qualquer razão para realizar aquelas funções exortativas que são desempenhadas tão adequadamente pelos padres, políticos e líderes de opinião [...]
C.D.Broad, Ethics and the history of philosophy

Afirmações como estas são comuns, os argumentos a seu favor nem tanto. Dizem-nos que o papel do filósofo moral não é igual ao do pregador. Porque não?
Peter Singer

Estas duas citações, ambas retiradas de Escritos sobre uma vida ética, vão ser a base de todo o artigo que vou escrever a partir daqui. A primeira alerta-nos para o facto de não há qualquer razão para um filósofo desempenhar as funções de um padre (pregador), pois ele não possui nenhuma característica privilegiada que este último não tenha. Posição que Peter Singer refuta ao longo do capítulo.

Ele diz que o homem moralmente bom apenas não precisaria de ser um homem reflexivo caso o código moral da nossa sociedade fosse perfeito e incontroverso. Apenas nesse caso, o Homem poderia limitar-se a viver em conformidade com o código sem que tivesse de reflectir sobre o mesmo.

No entanto, como a sociedade não tem normas perfeitas ou consensuais sobre várias questões de escolha múltipla, é dever do homem moralmente bom saber resolver esses conflitos, saber o que fazer. É aqui que o papel do conhecimento ganha importância. Saber o que fazer exige informação, é ela que nos vai permitir chegar à hipótese certa, ou pelo menos, a mais fundamentada.  

Só após se possuir todos os dados sobre estas questões, é que estas poderão ser avaliadas e associadas às perspectivas morais em que se acredita. Em que, consoante o método moral que se utilizar, este pode ter em foco escolher a acção que produz mais felicidade e menos sofrimento, por exemplo, havendo uma tentativa em nos colocarmos na posição daqueles que vão ser afectados pela acção.

Com isto, Singer defende que parece realmente haver uma especialidade em moral, em que o filósofo apresenta um papel de destaque, ao contrário do mencionado na primeira citação. Conclui-se assim, que realmente há uma característica que distingue um filósofo moral de um pregador, podendo esta ser resumida em apenas uma palavra - conhecimento.

Além disso, há ainda o facto de um filósofo ter competências acima da média do homem comum, nomeadamente no que toca à argumentação e à detecção de inferências inválidas. Se associarmos isso ao facto de o filósofo ter tempo para pensar e recolher informações sobre uma determinada questão, algo que o homem comum não tem (pois ele possui outra ocupação que não  lhe confere tanto tempo para reflectir), então acho que é bastante óbvio que este tem capacidades especiais bem diferentes daquelas que um pregador tem. Concedendo-lhe todo o direito de dizer às pessoas o que devem ou não fazer, com base nos juízos morais realizados após várias reflexões.

Pessoalmente, após estes últimos parágrafos gostava  que as pessoas considerassem e entendessem a credibilidade de um filósofo moral, porém tal não acontece completamente. O próprio Singer transmite-o quando se expressa sobre o ponto de vista de outros filósofos.

A ideia de Ryle é a de que conhecer a diferença entre o certo e o errado implica preocupar-nos com ela. Por isso, na verdade este não é realmente um caso de conhecimento. [...] Logo, segundo Ryle, o homem honesto não é «minimamente especialista em nada». 
Peter Singer

Tal como Peter Singer, concordo que a distinção entre certo e o errado exige, na maior parte das vezes, informações e reflexões que nos permitam escolher a melhor hipótese moral. Consequentemente, estou a concordar com ele, quando se interroga porque razão o papel de um filósofo moral não é o mesmo de um pregador.

No entanto, uma vez mais, nem todas as pessoas pensam da mesma maneira, nomeadamente quando as questões que são respondidas através do uso de informações vão contra aquilo que foi pregado às pessoas e que elas acreditam desde que nasceram.

São bons exemplos disso, alguns casos mencionados em A Desilusão de Deus de Richard Dawkins. Este aborda o facto de famílias, cuja religião é o islamismo, processarem professores por ensinar teorias evolucionistas aos seus filhos. Teorias essas que vão contra aquilo que estas pessoas acreditam e que lhes foi pregado - o criacionismo.

O mesmo acontece com o meio onde fui criado. Se, tal como disse, houve coisas boas que me foram transmitidas, muitas outras não foram tão boas, pois não possuem qualquer tipo de fundamentação. São baseadas no desconhecimento e, em muitos dos casos, discriminantes para alguns dos seres que habitam no nosso planeta, sejam eles humanos ou não humanos.

De facto, sem querer exagerar, mas apenas demonstrar a diferença entre alguém que faz juízos morais com e sem conhecimento, deixo aqui um comentário recolhido no livro sobre os pregadores. Tal como Singer menciona, os pregadores fizeram tão adequadamente o seu trabalho, que as pessoas que os vêm como "lideres morais da comunidade" acabaram por entender por "moralidade" como um sistema de proibição de certas formas de prazer. 

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Cousera: Pobreza Extrema - Os Números...

Se o último artigo serviu para informar o que era a pobreza extrema e como se poderia agir para lutar contra esta. Este, por sua vez, tem o intuito de fornecer alguns dados de como esta está distribuída pelo Mundo e como afecta as pessoas.

Tal como no último poste, toda a informação foi recolhida no curso How to Change the World da plataforma de e-learning Coursera

A Pobreza Extrema no Mundo em 2010:
- 12.5 % na Ásia leste e no Pacífico;
- <1 % na Europa e Ásia Central;
- 0.7 % na América Latina;
- 2.4 % no Médio Oriente e Norte de África;
- 31 % no Sul de África;
- 48.5 % na África Sub-sariana;

Outras Estatísticas:
- 2.5 mil milhões de pessoas não têm acesso a um bom sistema de saneamento;
- 1.1 mil milhões não possuem qualquer tipo de sistema sanitário, se não aquele a céu aberto;
- 1.8 mil milhões de pessoas morrem todos os anos devido a problemas de saúde relacionados com a diarreia;
- 90% das pessoas do tópico anterior têm menos de 5 anos de idade;
- 40 % daqueles que vivem em condições de pobreza extrema são analfabetos;

É possível retirar algumas conclusões a partir destas estatísticas. São elas que é em África que se situam as comunidades mais pobres do Mundo, cujos principais problemas que atravessam é a falta de saneamento. Tudo isto leva a que muitas pessoas morram, grande parte nos seus primeiros anos de vida, devido a doenças como a diarreia. 

Como se pode combater isto? Acho que a resposta é bastante óbvia. Educação! Esta é o pilar principal no combate à pobreza extrema. Tal como referido no artigo anterior, é importante eliminar as doenças para que as pessoas possam trabalhar. No entanto, mesmo que se consigam os recursos necessários, como medicamentos e vacinas, nada nos garante que as pessoas os vão realmente tomar. Por este motivo a educação é tão importante, ela tem a função de sensibilizar as pessoas a tratarem-se. Daí ser a grande impulsionadora do desenvolvimento de um país.

O problema principal não é a ausência de soluções adequadas e de baixo custo, mas a dificuldade de haver uma cooperação global para implementar essas soluções.

Os ubíquos 3 I's:
- Ignorância
- Ideologia
- Inércia

Para que comunidades que vivem em condições de extrema pobreza consigam desenvolver-se é preciso não esquecer estes 3 I's. Deve-se combater a ignorância com a educação, educando-se as pessoas para que possam mais tarde intervir e participar activamente nas decisões tomadas relacionadas com a comunidade onde estão inseridas. Ideologia - deve-se investigar e testar o que realmente vai ajudar uma determinada comunidade ou país a desenvolver-se. Cada país é único, o que funcionou num outro, pode não funcionar de igual modo neste. Para este grande problema - pobreza extrema - não existe apenas uma única resposta, em vez disso há um conjunto enorme de pequenas respostas, devendo-se estudar e prever quais serão as melhores. Inércia - nós podemos mudar o Mundo e o modo como as coisas funcionam, não devemos ficar parados. 

Conseguir coisas óbvias para as pessoas que vivem em condições de pobreza no Mundo tais como, vacinas, antibióticos, suplementos alimentares, sementes melhoradas, fertilizantes, estradas, canalização, livros, enfermeiras... estas são coisas óbvias.
Estas coisas não farão as pessoas pobres dependentes de esmolas, vão dar a elas uma chance de entrar no sistema económico.

Após esta citação, pode-se dizer que se quer-se ajudar países onde a pobreza extrema é abundante, então todo o tipo de ajuda que se pode oferecer tem como foco a criação de potencial para o desenvolvimento.

Nota: De mencionar que as citações abaixo, são uma tradução directa do inglês, pelo que podem não estar escritas de igual modo como estariam numa versão portuguesa do autor.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Coursera: Pobreza Extrema

Finalmente após um longo semestre tive algum tempo disponível para voltar a um dos meus sites de e-learning preferidos, o Coursera. Desta vez para fazer o curso Change the World, de onde trago algumas das informações abordadas no tema referente à segunda semana Pobreza Extrema (Extreme Poverty).

Desde os meus primeiros anos de escola que tive a disciplina de Educação Moral e Religiosa na escola, até ter concluído o 12.º ano. Vou-me abster de abordar a parte religiosa, ficando apenas pela parte moral, que confesso também nunca ter sentido uma grande conexão. Isto aconteceu não por não sentir uma grande ligação, mas porque tinha algumas dúvidas quanto à ajuda que dávamos, por exemplo, se era às pessoas certas. 

Se havia vezes, nos cabazes de natal, por exemplo, que tinha a certeza que aquelas famílias precisavam de ajuda, havia outras que tinha as minhas dúvidas. Não que essa família vivesse em óptimas condições, porque não vivia, mas sim porque estas condições estavam, em grande parte, a ser uma consequência do modo de vida que estas levavam. Pelo que se colocava a questão, será que estavam a ser ajudados da forma correcta?

Acho que a pobreza é um tema bastante delicado, razão pela qual quis fazer este curso no Coursera, para conhecer mais sobre o tema e saber  quando, como e onde podemos agir. Além disso, com a globalização e o fácil acesso à informação, é possível saber que uma grande parte do Mundo ainda vive em condições que são para nós impossíveis, pelo que acho que é, em parte, nosso dever ajudá-los a ter uma melhor qualidade de vida.

 Pobreza Extrema
É importante salientar que a pobreza extrema está fortemente relacionada com o problema da desigualdade, nomeadamente a existente entre o mundo desenvolvido e o mundo em desenvolvimento. Esta tem-se vindo a demonstrar um dos maiores problemas que tentam persistir actualmente no planeta, podendo ser vista como aquilo que impede o crescimento económico do mundo em potência. Uma vez que existe uma enorme quantidade de pessoas que são privadas de recursos e condições básicas como a falta de educação, de saúde, de água, entre muitas outras. A falta de acesso as estes bens faz com que estas sejam privadas de contribuir para o crescimento económico do Mundo.

A persistência da pobreza é também o roubo de potencial humano. Pobreza não é apenas a falta de dinheiro - é não ter a capacidade de se alcançar todo o potencial como um ser humano.
Amartya Sin (Economista,  prémio Nobel da Economia em 1988)

O que é a pobreza extrema?
1. Pobreza extrema é viver com menos de $1.25 por dia. (de acordo com o World Bank)

De acordo com esta definição estima-se que:
- 21% da população mundial é extremamente pobre;
- 75% vive no Sul da Ásia ou em África;
- 3/4 vive em zonas rurais, onde conseguir ter água limpa, um bom sistema sanitário, transportes e acessos aos mercados continua a ser um dos maiores desafios que nos são apresentados.

Para se ter uma ideia do que é viver com $1.25 por dia. Nos EUA, por exemplo, a linha de pobreza está por volta dos $17 por dia. O US Census Burenau define, para os EUA, a linha de pobreza extrema em $8,50 por dia. Valores muito acima daqueles definidos pelo World Bank.

$1,25 = 0,94€ (por dia)
1 mês (30 dias) = 28,20€

28,20€ seria o valor que um português teria por mês para sobreviver, caso se encontrasse numa situação de pobreza extrema nas mesmas condições da maioria das pessoas em África. Obviamente são países e continentes diferentes, logo as condições são também elas diferentes e consequentemente o limite que cada um estabelece para pobreza extrema. No entanto, acho que estes valores nos conseguem levar a reflectir e a imaginar as condições em que 21% da população mundial se encontra a viver. 

Algo que se mencionou no Coursera foi que, pobreza extrema não é apenas falta de dinheiro ou riqueza, é a impossibilidade de ter acesso aos mercados, de poder fazer transacções. Sendo este um dos pontos mais importantes que se deve ter em conta quando se pretende erradicar a pobreza extrema, deve-se criar condições para que as pessoas tenham acesso aos mercados. 

O que se  pode fazer?
Imaginemos que queríamos fazer algo para ajudar a solucionar este grande problema que é a pobreza extrema. Nomeadamente nos 3 países onde esta é mais comum e persistente, na China, na Índia e na Nigéria. O que deve ser feito? Ou como podemos agir?

Devo confessar que foram estas duas questões que me levaram a inscrever neste curso no Coursera. Em Portugal, os bancos alimentares e os cabazes de natal são bastante frequentes. No entanto, sempre me perguntei se serão realmente eficazes. Pessoalmente devo confessar que nunca me identifiquei muito com essas campanhas. Pelo que, neste curso foi debatido quais seriam os melhores modos de intervir junto dos países em desenvolvimento. Por exemplo, será que mandar comida ou dinheiro é uma solução eficaz para erradicar a extrema pobreza nesses países?

Foi-me possível apurar que, quando nos países extremamente pobres, normalmente existe uma ligação entre a pobreza extrema existente e o governo. Pelo que se é verdade que muitas instituições exteriores ao país podem fornecer uma boa estrutura para o desenvolvimento económico deste, também é que na grande parte das vezes os governos não têm os mesmos interesses que as pessoas, acabando por se meter no caminho entre as instituições e o povo.

Além disso, gera-se também o problema de que, quando se trata de ajuda monetária exterior, esta poderá ser usada servindo apenas os interesses do governo. Neste caso, ela está a ser usada como um incentivo à corrupção. Por este motivo, a ajuda deverá ser entregue a nível local, junto das comunidades. Caso esta seja entregue junto do governo, então deveriam surgir movimentos a partir do interior de cada país, onde se exigiria mais informações sobre o dinheiro que este recebeu e como foi ele usado

Existe ainda um outro factor a ter em conta (Aid at the Edge of Chaos de Ben Ramlingan), é ele o conhecimento local das áreas onde pretendemos intervir. É extremamente importante que este seja tomado em consideração, uma vez que as regras que funcionaram ao desenvolvimento do nosso país podem não funcionar da mesma maneira noutro país e corre-se o risco de destruir esse conhecimento. O sistema deve evoluir e poder seguir diferentes direcções em vez de ser totalmente alterado.

Com isto, respondendo à questão O que deve ser feito? ou O que poderiamos fazer?. Nós devemos facilitar o crescimento económico do país, com o objectivo de eliminar a pobreza extrema. Como pode ser isso feito? Nós podemos criar as condições para que as pessoas possam estar aptas para trabalhar. Isto é, podemos dar-lhes medicamentos para eliminar as doenças que impedem elas de trabalharem. Podemos dar-lhes comida para que possam, novamente, trabalhar e reduzir o risco de contraírem doenças. Podemos dar-lhes educação, que lhes permite ter uma participação mais activa junto da sociedade e criar um ciclo sustentável de partilha de informações. Por exemplo, certos comportamentos higiénicos que lhes permite reduzir o risco de contrair doenças como diarreia.

Assim, pretende-se que estas comunidades possam reservar algum dinheiro que possa ser posteriormente usado para fazer transacções no mercado, por outra palavras, quer-se criar as condições para que as pessoas tenham acesso aos mercados. O qual vai contribuir para o surgimento de uma classe média na sociedade.